Na minha já – cronologicamente – respeitável vida profissional, e não só, conheci muitos sócios. Os  do Benfica, mais crentes que sócios, e os das empresas às quais fui dando algum contributo capitalista para além do meu contributo profissional.  E, como em tudo na vida que envolve mais que uma pessoa, há coisas que correm bem, outras que correm mal.Entre estas empresas estão três tipo de empresa. Aquelas à qual fui voluntariamente associado ao capital por via do meu trabalho, aquelas em que comprei acções na esperança que o trabalho alheio as valorizasse mais o meu investimento que o banco e aquelas em fui obrigado a ter acções e que se chamam normalmente de “empresas públicas”.Claro que nos três tipos de empresa de que fui/sou sócio há coisas boas e coisas más. Coisas que correram bem e coisas que correram manifestamente mal. Fundei empresas em que cheguei à conclusão que não conseguiria viver com as pessoas com quem o fiz, como comprei capital de empresas que foram flops imponentes. A bottom line aqui é que, como pensam os anglo-saxónicos,  crime é não tentar mas é importante para todos saber quando parar. Não me arrependo de nada.

Este post é mais sobre aquelas empresas em que me obrigam a ser sócio de pessoas que não quero ser sócio, nomeadamente aquela da figura junta, o Zé. Em dia em que todo o jornalista vem falar dos prejuízos da Caixa Geral de Depósitos(CGD) e em que o seu presidente se deve sentir como o Domingos, a responder a todo o gato careto que pensa perceber de futebol, apetece-me perguntar: onde é que esta gente andou nos últimos 20 anos?

A figura acima representa a informação básica que eu e o meu sócio Zé devemos ter acerca da actividade do banco que temos. Começa em 2005 porque não consegui tirar mais, mas dá para perceber. A coluna Capital representa o dinheiro que eu e o Zé metemos no banco, a coluna resultado aquilo que a CGD diz que ganhou e “Lucro Estado” aquilo que eu e o Zé lucrámos com a história, se estiver negativo significa que eu e o Zé metemos dinheiro lá.  Como podemos facilmente perceber, entre aquilo que a CGD diz ganhar e aquilo que eu e o Zé ganhámos para nós há uma diferença brutal. Na realidade, eu e o Zé ainda não ganhámos nada tirando as acções valerem mais (com as mesmas acções temos mais capital). Mas a diferença não é de facto muito importante, estamos a falar de 1.4 mil milhões, foi o que eu e o Zé ganhámos nestes 5 anos com o maior banco português.

Em 2011 o sr. Presidente do grupo CGD vem-nos dizer que a CGD registou um prejuízo de 488,4 milhões de euros e, ainda, vai precisar de um aumento de capital, o que significa que o número de 1.4 mil milhões se vai reduzir a qualquer coisa como 300 milhões. 5 anos de actividade do maior banco português e, reconhecidamente, mais lucrativa de todas as empresas públicas resume-se a 300 milhões de euros.

Foi por causa do BCP, do Berardo, do Vara, do Bandeira, do Fino, dos políticos, dos corruptos, dos directores, do BES, dos chineses,…. é irrelevante. Podemos dizer que foi por causa de tudo e mais alguma coisa mas esse tudo e mais alguma coisa não se passa nos outros bancos.

E sou sócio do Zé porquê? Não há bancos em Portugal e é preciso haver mais? Não, não deve haver mercado mais saturado de concorrência que o mercado financeiro. Se não houvesse, ainda admitia que o Zé me dissesse para fazermos um banco todos juntos.

Estamos perante um mercado completamente dominado por um dos bancos? Bem sei que as autoridades de concorrência em Portugal não são grande coisa, mas bolas, não só não é o caso como, a ser, é à CGD que atiraríamos as pedras.

Por isso, como numa carrada de coisas, Zé isto não está dar. Eu não quero ser teu sócio num banco, não funciona. Também não quero ser na televisão, na rádio, nos foguetórios, nos parquímetros, etc… Zé vais mesmo que ter que trabalhar e eu preciso do dinheiro para gastar naquilo que pode vir a dar alguma coisa. Vai dar? Não sei. Mas isto tenho a certeza que não dá…

 

PS: Os números acima mostram que se, em vez de metermos o dinheiro no capital da CGD o metêssemos como depósito nos outros bancos a 2.5% ganhávamos o dobro…

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